Anima
Era vazio o quarto
Sem livros e retratos
Folhas sem rastros
Luz à meia luz apagada
Era o destino guardado
O passo a seguir dado
Distraído eu me dirigia
Para a estrela que se tornou minha guia
Era o quadro pintado
Sardas de Botticelli
A Vênus que eu esperava
Nas manhãs afoitas que eu aguardava
Era o perfume da embriaguez
Esse que pra minha sorte não se desfez
Grudado em minha pele por um dia
Selado em minha alma por toda a vida
Era o tecido de Ariadne que a revestia
E eu a desvestia sem a desnudar
Nesses instantes cúmplices de olhar
Amor feito sem covardia
Era o desenho de uma noite de verão
O corpo, perdoa-me, a minha perdição
Perdido dentro de mim sem lado para escapar
E toda porta aberta era um motivo para voltar
Era o canto das sereias
A própria sereia a entoar
Em uma melodia aprisionada de silêncio
Em dúbio dito – um sonoro tormento
Era a beleza de Laura
A pureza de Beatriz
A impetuosidade de Helena
As paixões dos poetas que guardei aqui
Era vazio o quarto
Quarto ocupado por molduras
Por tintas que pintavam ruas
A dar em becos de nunca
As praças às quais sempre voltei
Bo's Theme \\ Original by Jacob's Piano - trilha sonora de Anima.



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