A inteligência é sexy


 

Há um desencanto na vida. E eu não quero permanecer nele. Eu sei, as coisas não deveriam estar como estão. Contudo, a brutalidade da apatia não é cajado.

Somos melhores de pé.

Sim, estou falando sobre política. Eu busco compreender algo que não entendo. Eu me demoro nas coisas. Eu vejo um rosto e eu me demoro nele. Há uma estética escondida que se revela bela quando nos permitimos demorar. De-morar.

Uma morada.

Na-morada?

Com as lentes embaçadas, perdemos de vista a harmonia possível da política. Ninguém vê direito se uma poeira cai nos olhos. Não aquela da metáfora para esconder sentimento. Essa lava os olhos e a alma. Quando eu me demoro em um rosto, encontro a estética da beleza da vida e mergulho nela a buscar tudo o que ali há de mais belo.

A inteligência é linda.

Como aquele rosto também é.

Não quero trazer o feio para aqui. O feio é a desarmonia, o ruído da brutalidade.

A ignorância que se recusa a escutar.

Para ruídos, ouço música. Para a desarmonia, ouço vozes. Como me encantam as vozes, esses sussurros que arrepiam a alma. Aquelas que tocam o pelo do coração. Ah, sou apaixonado por sons. Harmônicos e belos.

Inteligentes discursos.

Diálogos.

Eu me demoro em um rosto cuja estética reconheço na harmonia de uma voz que sussurra inteligência. Sério, isso para mim é muito sensual.

Eu acho sexy.

Um discurso.

A palavra, a gramática, o emprego do ponto, a vírgula, os lábios se movimentando a dizer o que se pensa. Eu me demoro nos rostos lindos, na estética que eu não compreendia, e eu me apaixono por essa voz a sussurrar para mim a verdade que não me habitava.

Sou humano.

E quero viver.

Há uma estética da vida.

E tudo isso, sim, é sobre política. É sobre arte, é sobre dar as mãos, sobre dizer o que se sente sem ofender, porque a ofensa é feia.

Não é inteligente.

Então eu escuto aquilo que é lindo. Eu me demoro naqueles lábios, naquele rosto que me convida a morar na companhia de uma inteligência. A que nos persuade a ser fortes e nos ensina que o masculino é firme quando assume vulnerabilidades.

Aquela voz que sussurra a permissão de chorar.

A voz que fala do feminino, a que fala da delicadeza, a que diz “espera”, a que ensina a espera.

Peitos fortes de mulheres fortes.

O rosto que nos diz sobre o cuidado.

É colo de mãe.

Nossa primeira sociedade política.

Ah, a inteligência é muito sexy.

Há uma beleza nisso.

Como não se enamorar de tudo isso? Fico vermelho de pensar, estrela que brilha, mas ouso chegar, como no ato revolucionário de um jovem apaixonado a gritar na praça:

Tu és linda! Abraça-me! Quero ser teu.

A dança dos povos.

Ah, tu és tão linda, Política, vem, dança comigo. Leva-me em tua volúpia, embriaga-me de teus pertencimentos, de todas as cores do colorido dos vestidos que vestes.

A diversidade da cidade.

Há inteligência em toda idade.

Lei tatuada na pele da vida.

Eu acolho teu corpo, tua delícia de sentir, nada morno, porque amores não podem ser mais ou menos. Não há graça em amar na média. Porque amar é disparar voto a eleger a beleza na estética de uma prece, um milagre.

Na oração que tenha muitos predicados.

Muitos cuidados.

E me demoro em teus olhos, em teu rosto, em teu movimento e sei como tu és exigente em ser entendida. Às vezes, tua voz me contraria. Eu me demoro também nisso. Não basta chamar teu nome para compreender o que pedes. É preciso escutar.

A ignorância não é nada sexy.

Então eu digo o discurso que me faça pertencer. Que tenha a delicadeza de nos convencer de que somos melhores sem armas nas mãos. Essas mãos de algodão a nos acariciar, não como posse, mas com desejo de ser. Essa pegada na carne, esse contato com o corpo, com o suor, esse olhar no olhar sem piscar, horizonte que se funde num só.

Isso é paixão!

Isso é encantamento!

E eu vivo nela.

Moro nela.

E eu me demoro nela.

Na inteligência que é bela.

A inteligência que é sexy.


Linkin Park - One More Light (Acoustic Cover by Dave Winkler) - trilha sonora de A inteligência é sexy


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