Mohar
Do minuto inesperado
Surpresa augusta ao coração quente
Tua imagem surge pra mim presente
E não se desfaz mais na parede de minha mente
Curva-se tempo e se prolongue
Uma faina gentil de se permanecer onde
Ao ponto fixo onde eu possa encontrar
O lugar no qual jamais quis afastar
Ensino-lhe, ponteiros teimosos, a vê-la
A persuadir a vantagem de tempo não ser
Sim, fugir de tua natureza, pra ver a beleza
Daquilo que uma vez visto não há como esquecer
Rio-me de ti, relógio, a insensatez de cumprir meu conselho
E agora vejo que momento sossegado não terá mais
Percorrerá todas as voltas sem uma medida tenaz
Na tentativa de ajustar o tempo que se foi
Tu vás embora, segundos, e sem ti fico
Memórias minhas fragmentadas ao teu rigor
Fotografia única que resiste ao meu furor
Saudade que amo ver e pela qual ainda vivo
Mas tu voltas, tempo, será piedoso
Viu o preço que paguei para tê-lo de novo
Entendeu o que foi visto e o visto por mim
Olhares impetuosos que não encontro mais
Amor de todas as idades que jamais partiu daqui
Chão de Giz, por Zé Ramalho - trilha sonora de Mohar.



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